S. Tomas - Comentário ao De Anima (Livro II) de Aristóteles

                Em seu comentário ao Livro II da obra de Aristóteles S. Tomás de Aquino segue a concepção do filósofo e busca aprofundá-la a partir de uma metafísica baseada no autor, porém mais rica e detalhada. Assim trata por exemplo da diferença entre corpos naturais e artificiais, tendo que o corpos naturais são mais substância que os artificiais porque o são não apenas por parte da matéria, mas também da forma. Trata ainda de especificar a diferença entre os corpos naturais, já que alguns apresentam vida e outros não, sendo que os que tem vida se caracterizam por se alimentatem, aumentarem e diminuirem, mas também por sentirem, inteligirem e por exercerem as demais funções vitais.
            O santo doutor apresenta ainda uma definição de natureza da vida como sendo “algo que é apto a mover-se por si mesmo, entendendo movimento de forma ampla, pela qual as operações intelectuais podem ser chamadas de movimento”[1]. Em sua definição do que é a alma, afirma que é “forma substancia do corpo físico, tendo potência à vida”[2]. Explicando ainda a concepção de Aristóteles, trata de especificar que o mesmo pensa a alma como forma, mas em sentido de forma substancial, para que não se pense que a alma seja ato do mesmo modo que a forma acidental o é. O Doutor angélico deixa ainda claro como a vida do corpo depende da sua união com a alma, bem como a possibilidade de existência da alma sem estar unida ao corpo.
            S. Tomás de Aquinho comentando o capítulo terceiro do Livro II, procura ainda clarificar o plano para o restante da obra, bem como demonstrar como as diferentes partes (faculdades) da alma se ordenam consecutuvamente entre si. Aborda ainda a questão da imaginação e a ordem que deve ser seguida na determinação da natureza de cada parte da alma. Por fim apresenta uma conclusão pessoal.
            Resulta muito claro que a simples definição do que é alma não é sufuciente, mas a compreensão de cada uma de suas partes não é menos importante. O doutor angélico trata de encontrar a razão (causa) para as diversas partes da alma se ordenarem entre si consecutivamente. A faculdade sensitiva não pode se dar sem a vegetativa, mas a vegetativa pode se dar sem a sentiva (plantas), da mesma forma todos os sentidos dependem do tato para exisitir, como também a faculdade motora não seria posssível sem a sensitiva, o que também é facilmente entendido pela observação e pelo senso comum. Demonstra que as substâncias separadas consideram inteligivelmente per se as coisas per se e por isso não necessitam dos sentidos, porém os mortais que possuem intelecto, isto é, os homens, necessitam que todas as faculdades estejam plenamente ordenadas hamornicamente entre si.
Ainda sobre a insparabilidade da alma e do corpo e da importância da relação entre as faculdades da alma para a atividade inelectiva, própria da alma, o santo destaca com exemplos simples como a operação intelectual necessita do corpo ou como objeto ou como instrumento. “a intelecção de fato não se realiza pelo órgão corporal, mas necessita do órgão corporal. Desta maeira os fantasmas (fantasia)[3] estão para o intelecto assim como as cores estão para a vista. De ond se segue que o intelecto é uma operação própria da alma e não necessita do corpo senão enquanto objeto, mas ver as demais operações e paixões não são apenas da alma, mas conjuntas com o corpo”[4].





[1] S. Tomás de Aquino, Comentário ao De Anima, liv. 2, 3.
[2] Ibidem, liv. 2, 4.
[3] Imaginação, atividade intelectiva (sinônimos)
[4] S. Tomás de Aquino, Comentário ao De Anima, Liv. II, 3.

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