Aristóteles - De Anima - Livro II



Resumo
No livro B, capítulo 1, Aristóteles começa o discurso buscando uma definição de alma que abranja a sua realidade mais profunda que se constrói gradualmente até chegar a enunciação de que é substância e o primeiro ato de um corpo natural que possui vida em potência, assim afirma o filósofo, “a alma, portanto, tem de ser necessariamente uma substância, no sentido de forma de um corpo natural que possui vida em potência”[1] em seguida trata da organicidade deste corpo para finalmente falar da inseparabilidade da alma.
            Sua definição surpreende seja pela originalidade, seja pela profundidade exemplificada através da analagia entre o olho e a visão, pois para ele se o olho fosse um corpo a visão seria sua a alma, isto para exemplificar como a alma é a forma do corpo e seu ato primeiro[2].
A definição da inseparabilidade da alma em relação ao corpo também vem explicada através da analogia, “como o olho é a pupila e a visão, assim também o animal é a alma e o corpo. Que a alma não é seperável do corpo, ou pelo menos certas partes dela não são – se é que a alma por natureza é divisível em partes – isso não levanta dúvidas, pois o ato de algumas (partes da alma) é o ato das partes mesmas (do corpo)”[3], termina o capítulo admitindo uma certa separabilidade em outros aspectos, nos livros posteriores.
Já no Livro B, capítulo 3, Aristóteles trata da relação e definição da alma pelas suas faculdades, primeiramente considerando a relação de sucessão entre as faculdades presentes na alma dos seres vivos, considera faculdades da alma a parte nutrutiva, perceptiva, desiderativa, de deslocação e discursiva. Em seguida parte para a análise da relação de sucessão entre as faculdades presentes na alma dos seres vivos, destacando a quais faculdades compete cada um, das plantas até o ser humano, sendo que somente a este último compete todas as faculdades ou, se existir, a outro ser a ele semelhante ou superior[4]. O processo de relação de sucessão pode ser facilmente identificado quando afirma que das faculdades sensitivas se chega as mais intelectivas, por exemplo, relaciona o tato ao desejo. A necessidade de investigação do tipo de alma de cada ser vivo se torna importante para identificar como se dá a relação das suas dferentes faculdades em cada um. Como se sabe, falar da alma não é fácil, o autor constata que o estudo de cada faculdade é a melhor estratégia de abordagem da alma.
Neste trecho especialmente fica claro o método realista do filósofo, que parte sempre da realidade e da abstração advinda da natureza, do cotidiano e de concepções facilmnte compreendidas pelo senso comum, ainda que as leve a uma compreensão mais precisa e profunda. O próprio processo de abstração vem explicado por Aristóteles, tendo como condição fundamental os dados colhidos pelos sentidos, bem como a capacidade de raciocínio, que apenas é possível ao ser humano, como foi dito, se existe, a algum ser a ele semelhante ou superior.





[1] Aristóteles, De Anima, B, 1, 412a 19-20.
[2] Cfr. Ibidem, 412b, 19.
[3] Ibidem, 413a, 4-6.
[4] Aristóteles, De Anima, B, 3, 414a 19.

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