Aristóteles - De Anima - Livro I

Resumo

No terceiro capítulo de De Anima Aristóteles continua a tratar a natureza da alma em diálogo com os filósofos precedentes. A perspectiva da análise da alma humana é o movimento, na verdade o filósofo se propõe a investigar a possibilidade ou não de movimento da alma, destancando a quais tipos de movimento se refere: deslocação, alteração, perecimento e crescimento, verificando se alguns deles se aplica a alma.
Assim, primeiramente relata as opiniões dos outros filósofos mostrando quais deles mantiveram um método para investigar a alma e posteriormente mostra de que modo diversos filósofos chegaram a diferentes opiniões sobre a alma.
Aristóteles procura verificar se o movimento é caraterística da alma, e se sim, se é por essência que a alma se move ou faz mover o corpo, bem como as consequências dessa constatação, como por exemplo, no caso do movimento pertencer a alma por natureza, implica que esta ocupe um lugar, espacial. Não concorda com a concepção de que a alma se move a si mesma por essência, bem como não está de acordo em ser a alma a mover o corpo, dadas as consequências de tais afirmações, como por exemplo o fato de que em tal caso a alma ao se mover ou mover o corpo e deslocar-se implicaria, sair e entrar novamenteno corpo, porém ao sair implicaria a morte do “animal” e ao re-entrar a sua ressurreição, o que resulta a tese absurda, ao mesmo tempo nos faz pensar a profundidade de sua análise que como pano de fundo traz uma certa ideia de que a alma seja um princípio que informa ou dá a vida ao corpo. Então conclui que a alma não possui um movimento próprio por natureza, mas por acidente.
No que se refere ao método, nos fica evidente a abordagem dedutiva do filósofo, partindo da observação, contemplação da realidade, bem como o sua forma dialógica de fazer filosofia, sempre considerando a opinião dos filósofos anteriores. Podemos notar, como em suas outras obras, como Aristóteles é um modelo de filósofo como também de mestre, considerando sempre o contexto em que se movia seus discípulos.
No capítulo quarto do primeiro livro de De Anima, Aristóteles considerando a doutrina dos filósofos precedentes, apresenta como inconsistente a teoria segundo a qual a alma seria uma perfeita harmonia, analisando suas consequências, como a impossibilidade da alma mover-se a si mesma, retoma ainda o problema do movimento da alma, tendo que a teoria de que a alma seria um número que se move a si mesmo é a menos razoável das doutrinas. Podemos apreciar, especialmente o quanto o filósofo se esforçou por pensar de forma original os problemas herdados da tradição, ficando ainda mais claro que foi o primeiro a elaborar um pensamento inserido historicamente em diálogo com seus predecessores, julgando suas propostas e tendo presente que o seu próprio pensamento deveria ser desenvolvido a partir dos eventuais equívocos deles. Por isso observamos neste capítulo, mais uma vez de modo claro, que se discorre na análise da doutrina de seus predecessores, e em especial Platão.
            Como podemos também apreciar ao longo de toda a obra, para saber o que é a alma, Aristóteles parte sempre do passado, constatando inicialmente o que ela não é, isso não nos parece apenas uma questão de método, mas um aspecto central do seu pensamento sobre a alma humana, pois mantendo o ideal epistemológico do platonismo, Aristóteles segue em busca de uma teoria explicativa da alma que estabeleça a justa relação entre sensação e pensamento, porém sem se vincular a teorias metafísicas que ele mesmo rejeita. Com certeza tudo isso ficará mais claro no decorrer dos próximos capítulos. Então apesar de falar em probabilidade, me parece que Aristóteles realmente refuta completamente a tese sobre a harmonia da alma, afirmando que “uma harmonia é uma mistura e uma composição de contrários e o corpo é composto de contrários”[1]  sobretudo porque refuta completamente as suas consequências, que seria a alma não poder mover-se talvez, penso que sua refutação se dá por influência de sua formação platônica, ainda que no decorrer dos outros capítulos se distanciará da noção platônica acerca da alma.
            Ainda no quarto capítulo vamos indentificando um certo ilemorfismo em Aristóteles, quando passo a passo vai chegando a conclusão daquilo que depois S. Tomás chamou de unidade substancial entre alma e corpo, como podemos observar neste trecho “Seria melhor, sem duvida, não dizer que a alma se apieda, ensina ou discorre, mas sim o homem com a sua alma”[2]. As consequências desse textos são profundas e podemos desenvolver uma profunda concepção de pessoa humana a partir dela.




[1] Aristóteles, De Anima, 407b 30.
[2] Ibidem, 408b 14.

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