Edith Stein - As Estruturas da Pessoa Humana - Parte III

Analisando agora o terceiro capítulo da obra de Edith Stein, encontramos uma descrição e análise profunda do ser humano a partir de sua materialidade, mas o mesmo tempo considerando sua unidade enquanto organismo. A materialidade do corpo guarda uma estreira relação com os outros aspectos essencias já citados nos capítulos precendente e que ainda será aprofundados nos capítulos posteriores, que são a alma e o espírito, estes garantem um aspecto fundamental da corporeidade, a sua singularidade.
Tal individualidade do corpo humano, facilmente constatada revela também a sua forma, pois que não é apenas uma parte da espécie humana, mas um autêntico exemplar da mesma, e ao mesmo tempo em que consideramos a sua extrema harmonia, funcionamento, movimento notamos a sua unidade profunda, que não se perde mesmo se em constante transformação. Isso nos mostra sem dúvidas, o quanto o método de Edith Stein, se apresenta razoável e profundo na análise da pessoa humana, de tal modo que a partir de uma análise profunda, mesmo considerando somente as realidads em si mesma, se pode chegar às suas questões mais reveladoras e profundas, tão de acordo com a visão cristã.
            A profundidade da análise da santa carlmelitana pode ser percebida ainda através da sua rica análise sobre os sentidos humanos, em especial a audição, que revelam o aspecto de interioridade espiritual do ser humano, pois “tudo isso que caracteriza o corpo humano e o distingue dos outros corpos é uma ponte para o nosso modo de ver que vai além do dato puramente sensorial e percebe sempre mais do que um corpo puramente espiritual”.[1]
            Assim, mais do que um corpo, o ser humano é um organismo vivente, de tal modo que sua forma é determinada, fechada em si mesma, e sua forma exterior vem de uma forma interior, que segundo ela, S. Tomás de Aquino chamou de forma interior ou alma, enquanto Aristóteles a chama de enteléquia, tal processo, assim tão harmonioso e determinado segundo um fim permite também contemplar a unidade substancial entre a corpo e alma, sendo que esta o determina e informa.
            O movimento orgânico do corpo humano, sua capacidade de apreender o necessário à sua própria subsistência, a capacidade de gerar outros membros da mesma espécie são aspectos que não podem ser ignorados, segundo a doutora carmelitana, no que chamamos por vida, atividade, movimento.[2]
            Na parte final do capítulo, tendo presente a cosmologia aristotélico-tomista, ela considera ainda a linha de separação entre o orgânico e o animal, isto é, a distinção entre o “eu” da pessoa humana com o mundo que o cerca, bem como sua natural integração e relação. Termina analisano o tender do processo vital que vai além do próprio indivíduo.
            Longa a leitura do texto e considerando especialmente o contexto histórico de Edith Stein, de um empirismo forte, nos vai ficando cada vez mais clara a sua tese de que se não consideramos também os aspectos interiores do homem o risco e consequência não é simplesmente não entender o que é o homem, como também toda a realidade.




[1] Edith Stein, La struttura della persona umana, trad. di M. D’Ambra, Città Nuova, Roma 2000. p. 76. (tradução pessoal)
[2] Cfr. Ibidem, p. 77.

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