Edith Stein - As Estruturas da Pessoa Humana - Parte VI

            
           Edith Stein, no sexto capítulo, que é o coração da obra, parte da análise do comum entre o ser humano e os outros animais, para depois tratar do que é especificamente humano. Podemos observar com facilidade a influência da metafísica aristotélico-tomista expressa em De Anima, na qual os níveis inferiores da alma, como a sensibilidade são absoutamente essenciais para os superiores, especificamente a vida psíquica. Especialmente interessante é sua análise da analogia inerente a natureza humana, pela qual se distingue o que é lhe estranho a partir do que é próprio e o que é próprio a partir do que lhe é próprio.
            As diferentes partes da alma, vem analisadas a partir de sua unidade fundamental, “é propriamente na relação entre as potências, os habitus, e os atos tornam evidente a unidade da alma”[1], bem como a força de tal unidade, que torna o ser humano um ser único onde o corpo e a alma estão articulados de tal forma que qualquer influxo de um incide no outro, sem jamais perder a unidade substancial. As condições de desenvolvimento tanto nos animais quanto no ser humano dependem em grande parte das condições advindas do ambiente externo, porém no ser humano existe uma interioridade que o faz dominar e conduzir os estímulos de uma maneira diversa aos outros animais, é o aspecto essencial da liberdade.
            A santa apresenta a liberdade fenomenológicamente, dado que o ser humano possui uma estrutura pessoal que o permite abrir-se ou não  a alteridade não apenas percebe que o seu “eu” é diverso do “outro”, como também é consciente do seu viver, ou seja, sua existência, tem sempre o poder de decidir entre o “eu posso”, o “eu devo”, de tal modo que o poder, o dever, o querer e o agir, entram sempre em relação no jogo interior e exterior da liberdade.
            Sua linha de investigação vem de encontro com o personalismo, especialmente na concepção de Karol Wojtyla, na qual o ser humano, por ser livre, tem sempre a responsabilidade de formar-se, bem como interagir e transformar o mundo de forma positiva, uma vez que a alteridade (outros seres e o mundo) apresentam para ele uma condição fundamental de existência e de felicidade nesse processe de auto-formação. A intencionalidade, constatada na razão e no intelecto, sao os sinais mais evidentes da liberdade, e a relação de interdependência entre a vontade e a razão demonstram aspecto também essencial do espírito humano, que pode e deve ser conduzido segundo um ou mais valores, que realmente orientam o ser do homem e todo o seu agir.
            Os valores constituem os motivos que norteiam a conduta humana, e “como resultado provisório dessa visão de conjunto podemos constatar umaa formação de vida psíquica humana movendo-o a partir de um ‘eu’”[2]. E o que é este “eu”? É a pessoa espiritual e livre, a qual podemos chamar apenas por pessoa humana, de tal modo que esta não é apenas um corpo vivente, mas um ser que domina esse corpo e pode ser dito vivente nele, podendo observá-lo.
            A alma humana então não pode exisitir sem este “eu”, ao mesmo tempo que este “eu” não pode exisitir sem uma alma humana. Assim vem explicada de forma muito simples e facilmente compreensível a relação de dependência e mútua relação entre alma e corpo, pois que este corpo formado de diversas partes necessita de uma alma como sua forma substancial e orienta, coordena e determina a sua existência e forma de viver, ao mesmo tempo que o ser psíquico-espiritual adquirem forma neste corpo vivente através de todos esses aspectos, o que podemos constatar ainda quando algo não vai bem, como certas doenças, má formações do corpo, que determinam necessariamente o eu espirtual do ser humano. Por fim a santa termina o sexto capítulo o aspecto importante do dever e sua respectiva relação com a consciência, nesse jogo interior do ser humano[3].




[1] Edith Stein, La struttura della persona umana, trad. di M. D’Ambra, Città Nuova, Roma 2000. p. 122. (tradução pessoal)
[2] Ibidem, p. 128.
[3] Cfr. Ibidem, pp.  135-139.

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