Husserl - A Filosofia Como Ciência Rigorosa (I)

(Parte 1)




     Husserl, como todo filósofo, pode ser melhor compreendido quando situado em um contexto histórico, pois o pensamento nunca está desvinculado do tempo, por isso antes de analisarmos o conteúdo desta obra, tratemos de analisar alguns dos principais aspectos biográficos de seu autor.
     Nascido em família hebreia, em 1859 na República Tcheca, estudou matemática em Berlim. Seu gosto pela matemática influenciou muito seu pensamento filosófico, pois assim como se faz nesta ciência, se esforçará por encontrar um método científico para a filosofia. Depois de se converter ao cristianismo protestante, assisitiu aulas do filósofo Franz Bretano. Lincenciado e habilitado para ser professor universitário em 1887, seguiu esta carreira por toda a vida e escreveu diversas obras filosóficas, dando origem à assim chamada Fenomenologia.


       “A Filosofia Como Ciência de Rigor” é considerada sua principal obra, a qual nos propomos a analisar neste breve resumo. A Obra se divide em 2 partes, na primeira procura fazer uma crítica bem fundamentada à filosofia naturalística.
     Husserl critica o naturalismo da consciência e das ideias, pois pretende chegar à verdade da consciência e afirma que para isso é necessário ir além da filosofia naturalística, porém, isso deve ser realizado sempre com método. Que coisa é a consciência para Husserl? (consciência => suejito => eu)
       Afirma a contradição do naturalismo, pois de um lado vai do materialismo comum às “recentes” formas de monismo sensitivos e emergentistas, uma naturalização da consciência que inclui a naturalidade da consciência intencional-imanente e de outro lado a naturalização das ideias, que inclui cada ideia e norma absoluta.[1]
     Por isso, para o autor, as ciências naturais são, já em seus pontos de partida, um tanto quanto ingênuas e não são capazes de chegar à essência das coisas. “É óbvio que as coisas estão e são no espaço infinito enquanto estão em repouso, em movimento, mutáveis, e enquanto coisas temporais no tempo infinito. Nós as percebemos e as descrevemos em simples juízos a partir da experiência.” Mas para Husserl apenas isso não é suficiente, “a tarefa da ciência natural é conhecer isso de modo objetivamente válido e rigorosamente científico.[2]
     Husserl afirma que para chegar à essência é necessária a própria consciência, porque ela é capaz de entrar nas possíveis funções cognoscitivas segundo todas as suas formas, mas, na medida em que cada consciência é “consciência de”, o estudo da essência da consciência inclui também aquilo que é o significado e a objetividade da consciência enquanto tal.
        Em resumo, o centro da sua crítica à filosofia naturalística é que para ele a filosofia deve ser capaz de chegar à essência da consciência em si mesma para poder estabelecer uma ciência, ou seja, uma fenomenologia da consciência, ao invés de uma mera concepção naturalística da consciência.
     Assim, “a fenomenologia trata da pura consciência, ou seja, da consciência cultivada na abordagem fenomenológica[3]. A fenomenologia deve partir da coisa e de suas manifestações, porém, deve ir além disso, pretende chegar à essência e este é propriamente o seu papel, chegar ao eidhos.
        Afirma ainda a capacidade de intuição da essência diante da coisa e o papel da filosofia, através da fenomenologia é justamente estabelcer o método justo para isso, sendo o ponto de partida o fenômeno e a filosofia fenomenológica o caminho.
                Husserl, ainda na primeira parte da obra, afirma que o conhecimento intelectual necessita de um mínimo conhecimento sensorial, mas uma vez que se chega à essência, pode-se também chegar aos conceitos e através da abstração não se precisa mais recorrer tão somente às experiências sensíveis, daí a importância do método proposto pela sua fenomenologia. Critica ainda o psicologismo, muito presente na corrente filosófica contemporânea a ele, pois para ele sofre do mesmo defeito metodológico que sofreu a metafísica, a imitação da geometria e da física.[4]
                Na segunda parte da obra, que nos propomos a analisar no próximo resumo, o filósofo dedicar-se-á à crítica da filosofia historicista.

               




[1] Cfr. HUSSERL, Edmund. La Filosofia come scienza rigorosa. Ed. Laterza. Bari. 2010. Pág. 14.
[2] Ibidem, pág. 21.
[3] Ibidem, pág. 28.
[4] Ibidem, pág. 43.

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