O pecado


NOÇÃO DE PECADO NA BÍBLIA E NA TRADIÇÃO 

O termo pecado é usado para indicar o mal moral, como o desamor e desobediência da criatura livre a Deus. São inúmeras as pessagens que atestam isso: Gn 18,20; Num, 32,23 ; 1Cor6,18 ; Mt 12,31 e outras.
A Bíblia usa também outros termos como ofensa a Deus (Num 17,14) desprezo a Deus (Lv, 26,15) e outros. O NT reafirma explicitamente o termo pecado, como em Mc 7,20-23 e outras.Pecado é um ato humano contrário à lei divina, à ordem do ser e da graça. Portanto deve atender a 2 critérios:
  1. ser ato humano
  2. ser contrário à lei de Deus.

    “Averso a Deo et conversio ad criaturas” (averso a Deus e converso às cristuras)
Ordinariamente ninguém peca por afã de transgredir a lei de Deus, mas por amar um bem fora da ordem dessa lei.

A MALDADE DO PECADO
O pecado é uma ofensa a Deus, por isso é o único mal absoluto e está na orgem de todos os outros males. Assim como aprofundar no conhecimento de Deus ajuda o homem a O amar, afundar na maldade do pecado ajuda o homem a se corromper com toda força devida. 

2.1 Pecado Mortal (grave ) e pecado venial (leve),

O pecado é mortal quando a vontade se afasta da lei de Deus em matéria grave e o venial é quando a transgressão não tem essa gravidade, seja por imperfeição do ato, seja por caráter leve da matéria. 


PECADO MORTAL E PECADO VENIAL[1]

O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus, afasta o homem de Deus, que é seu último fim e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. O pecado venial deixa subsistir a caridade, ainda que a ofenda e a fira”[2]
A diferença fundamental entre um e outro é que o mortal priva da vida da graça e os veniais não.[3]
Quando a alma se desordena pelo pecado, chegando à aversão de seu último fim, que é Deus, a Quem se une por caridade, então o pecado é mortal. No entanto, a aversão não é querida enquanto tal e sim enquanto procede de uma conversão gravemente desordenada às criaturas; o pecador prefere um bem criado, mesmo que se afaste do Criador. ( cf. Rm 1,23)
Por isso, sempre que um ato gravemente desordenado por seu objeto seja livremente querido, existe uma culpa mortal.

3.1  Desigual gravidade dos pecados mortais

O fato de que todo pecado mortal cause a morte espiritual da alma, não significa que todos tenham igual gravidade. A crucifixão de Cristo, por ex. não teve a mesma gravidade em Pilatos e nos príncipes dos judeus; “os que me entregaram a ti cometeram maior pecado” (Jo, 19,11)
A primeira regra para discernir a gravidade do pecados mortais é grandeza do bem ao qual se opõe, por isso os mais graves são os que vão diretamente contra a Caridade.
Aos pecados que vão contra o próximo tanto maior será a gravidade quanto mais lhe privar de um bem maior, por.ex. o homicídio é pior que a calunia, pois a vida vale mais que a fama.
A segunda regra é analisar a intensidade com que a vontade quer o pecado, por isso são piores os pecados por malícia, do que os cometidos por fraqueza.
A terceira regra é analisar as circunstâncias que como vimos em bimestres anteriores podem atenuar ou agravar um pecado.

3.2  Especial gravidade de alguns pecados

     Alguns pecados mortais apresentam uma gravidade especial por sua malícia intrínseca ou porque são raiz de outros pecados.

a) Pecados contra o Espírito Santo. Estão em 1º lugar, pois implicam um desprezo formal do auxílio divino são eles: presunção, deseperação de salvar-se, a recusa ante a Verdade conhecida, a inveja da graça que Deus concede a outros, a obstinação no estado de pecado e aimpenitência final. São mortais, não porque sejam irremissíveis, pois Deus tudo por perdoar, mas porque colocam grandes obstáculos à conversão.

b) pecados que bradam o céu. Concretamente são: homicídio (aborto e matança de inocentes inclusive), homossexualidade (Gn19), injustiça com os fracos e desamparados, defraudação de salário e outros. (Cf. 1 Cor, 6,9-10; Mt 18,8-9; 25,41ssetc)

c) Pecados capitais. São particularmente graves, porque induzem a muitos outros. São eles: (espirituais) soberba, inveja, avareza, ira, preguiça; (carnais) luxúria e gula.

4. O PECADO SOCIAL

            A expressão “pecado social” é relativamente freqüente e surgiu principalmente a partir do século XVIII como fruto da novidade das ciências sociais. A Igreja sustém que existem pecados sociais, mas que este termo exige algumas precisões ou corre-se o risco de banalizá-lo ou mesmo contrapô-lo à concepção de pecado pessoal.
            A exortação apostólica Reconciliação e penitencia no número 16 é o documento mais importante a respeito desse tema. Afirma que “o pecado, em sentido verdadeiro e próprio é sempre um ato da pessoa, porque é um ato livre da pessoa individual(...) “ [4]como já foi visto no anteriormente, quando foi tratado sobre o pecado e suas condições para que realmente seja cometido. (matéria grave, plena consciência e deliberação[5]), portanto o pecado nunca pode ser atribuído somente “(...) a um grupo ou a uma comunidade”[6]
            A Igreja afirma que se pode falar de pecado social em três aspectos:

1º) Considerando que todo pecado traz repercussões ou conseqüências sociais, note-se que o termo social é muito distinto do que se pode constatar empiricamente. Na verdade, isto é nada mais nada menos que a comunhão dos santos, que professamos no Credo.
“Falar de pecado social quer dizer, antes de tudo, reconhecer que em virtude de uma solidariedade humana tão misteriosa como real e concreta, o pecado de cada um repercute de certo modo nos demais. (...) todo pecado repercute com maior ou menor intensidade, com maior ou menor dano, em todo conjunto eclesial e em toda família humana. Segundo essa primeira acepção se pode atribuir a cada pecado o caráter de pecado social”
“(...) Não existe pecado algum, ainda que mais intimo e secreto, o mais estritamente individual, que afete exclusivamente a aquele que o comete”[7]

2º) Existem certos pecados que constituem uma ação direta contra o próximo, contra a justiça, contra as relações interpessoais, tanto da pessoa para com a comunidade, quanto da comunidade para com a pessoa, sobre esse aspecto nos diz a Santa Igreja:
“Alguns pecados constituem uma agressão direta contra o próximo e contra o irmão. São ofensa a Deus, porque ofendem o próximo. A estes pecados se pode dar o nome de sociais”[8]

3º) Pecados que dizem respeito às relações entre as distintas comunidades humanas (Mal social), sobre isto diz a Igreja
“A Igreja quando fala de situações de pecado, ou denuncia como pecados sociais determinadas situações ou comportamentos coletivos de grupos sociais mais ou menos amplos ou até de Nações e blocos de nações, sabe e proclama que estes casos de pecado social são o fruto, a cumulação e a concentração de muitos pecados pessoais”[9]

Percebe-se que a doutrina do pecado social está muito bem definida pela Igreja, contudo é arma do inimigo confundir com ambigüidades e muitos, ainda que bem intencionados, parecem cair em tal erro, quando falando de pecado social, parecem contrapô-lo ao sentido do pecado pessoal quando, na verdade, um é fruto inevitável do outro.
Não é legitimo aceitar um significado de pecado social, que oponha o pecado social ao pecado pessoal.

“Segundo esse significado que deriva de ideologias e sistemas não-cristãos, praticamente todo pecado seria social, no sentido de ser imputável não tanto à consciência moral de uma pessoa e sim a uma entidade vaga e uma coletividade anônima, que poderia ser a situação, o sistema, a sociedade, as estruturas, a instituição.”

Esse erro é cometido quando se busca interpretar o evangelho apenas de um modo político, buscando-se uma compreensão do mal em chave de estruturas.[10] Nesse sentido o pecado social seria um pecado anônimo, o que é absurdo de aceitar.
O grande João Paulo II falava sim de pecados de estrutura, mas num outro sentido muito mais profundo, mas como se sabe é arma do inimigo de Jesus tentar confundir, pois é “pai da mentira”
O pecado social deve ser entendido por uma acumulação e concentração de muitos pecados pessoais ou as conseqüências externas ou sociais dos mesmo pecados pessoais que chegam a originar o chamado “pecado de estruturas” ou ainda “estruturas de pecado”[11]
Essas estruturas de pecado só podem ser vencidas, num primeiro momento, a partir da conversão pessoal e depois é necessário que essa conversão pessoal esteja acompanhada de gestos políticos, sociais, econômicos e culturais verdadeiramente decididos e eficazes.
Grande parte da perda do sentido pessoal esteja no fato de que o homem já não seja mais visto como uma pessoa singular, ou seja, única e com valor transcendente.
Assim Russerl ridiculariza a importância que os crentes dão à lei natural e afirma que o ser humano não é outra coisa que “um pequeno parasita de um planeta insignificante”.[12]
Hume adota uma atitude parecida para negar a importância e qualquer tipo de malícia no suicídio “a vida de um homem não tem não tem mais importância para o universo do que a de uma ostra”.[13] No entanto a este respeito já dizia João Paulo II “Aprenda a chamar por pecado o pecado e a não chamá-lo de libertação e progresso, ainda que toda moda e propaganda forem opostas”.




[1] Cf. SANTO TOMÄS, Summa Theol., I-II, qq 88 y 89; in II sent., q.41, a 2; Quaest. Disp. De malo, q, 7
[2] Catecismo da Igreja Católica, 1855
[3] cf. SANTO TOMÄS, In IOB expositio, c. XLI, lect. 2
[4] Reconciliatio et paenitentia, N. 16
[5] Catcismo da Igreja Católica, 1857
[6] Reconciliatio et paenitentia, N. 16
[7] ibidem
[8] Reconciliatio et paenitentia, N 16
[9] ibidem
[10] Cf. M. VIDAL, Moral de Atitudes, p. 574
[11] JOÃO PAULO II, Enc. Sollicitudo rei socialis – 30/12/1987 – N 36
[12] B. HUSSERL, Why I am Not a Christian, New York 1957, p. 53
[13] D. HUME, On Suicide, ethical choice, New York, 1970

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