Francisco, 2 meses reconstruindo a Igreja


         Num primeiro momento o título deste artigo pode parecer negativo, no sentindo de que uma coisa somente precisa ser reconstruída quando não é boa. Porém, meu propósito não é esse, até porque nossa amada Igreja é construída pelo Espírito Santo, em Cristo, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela (cf. Mt, 16,16/18), o que quero ressaltar com meus amigos é a grande renovação espiritual que o próprio Deus está realizando na alma dos fiéis, através do Papa Francisco.
       Em primeiro lugar, penso que Deus tem sido muito generoso com a sua Igreja, já que nos últimos tempos nos deu grandes papas. O que dizer do grande testemunho de fé e esperança deixado por Joao Paulo II? E da profundidade espiritual testemunhada e vivida por Bento XVI, um homem capaz de aprofundar os mistérios da nossa fé como ninguém, pra não dizer outros como Pio XII, S. Pio X entre tantos?
      Particularmente tenho grande devoção pelo Beato João Paulo II, pois cresci vendo-o naquela imagem de Deus sempre nos comunicando uma mensagem de amor e de perdão e Bento XVI, na minha pobre opinião é simplesmente o maior de todos os papas da história, através dele eu não desisiti de uma vocação em meio a tanta dor, especialmente quando minha mãe morreu, e como obtive consolação divina lendo a encíclica Spe Salvi, especialmente nestas palavras: “O tempo presente somente pode ser vivido se conduz a uma meta, e se pudermos estar seguros dessa meta, e se ela for tão grande que justifique o cansaço do caminho,” mais ainda depois que Deus me concedeu o privilégio de um encontro pessoal com ele, no qual me disse palavras que jamais poderei expressar e que confirmaram tanto o meu chamado!
       Ao meu ver, o grande mérito do nosso amado Papa Francisco e que tem comovido multidões, é que ele tem uma capacidade incomparável de compreender o sentimento religioso atual, com gestos simples e de uma riqueza espiritual tamanha que tocam profundamente o nosso coração.
      Aqui na Itália, ele é simplesmente uma unanimidade, é chamada de pappa Francesco (papai Francisco) não há quem não se comova ao ouvir suas palavras. A loucura que ocorre em Roma a cada quarta-feira e domingo para ouvi-lo falar de Deus, 100 mil, 200 mil pessoas são frequentes em suas audiências e missas e muito mais do que populismo, o que eu tenho sido testemunha, é o aumento da frequência nas missas que celebro e principalmente das pessoas que me chegam ao confessionário depois de ouvir suas mensagens, muitas dessas pessoas profundamente comovidas. Até mesmo o carinho das pessoas pela Igreja e pelos padres aumentou bastante, pelo menos aqui em Roma, e pelo que vejo e ouço, também no Brasil.
        Nesses meus quase 5 anos de sacerdócio, o que mais ouvi dos fiéis, é a necessidade de alguém para escutá-los, perdoá-los em nome de Deus, alguém que não tenha medo nem preguiça de gastar tempo em ouvi-las… ora, não é exatamente isso que disse o Santo Padre na santa missa do crisma, falando especialmente aos sacerdotes, quando diz que devemos trazer em nós o odor de nossas ovelhas? (Leia a homilia na íntegra: Homilia da Missa Crismal - 28.04.2013)
       Quando disse que Deus não se cansa de nos perdoar e que nós é que, às vezes, nos cansamos de pedir perdão (17.03.2013), penso que falou diretamente ao coração de todo aquele que tenta caminhar na via espiritual e que por vezes sente o cansaço dos próprios pecados e dissabores da vida. Ainda ontem, por ocasião da Vigilia de Pentecostes, tocou nossos corações ao falar, ou melhor, ao nos recordar da presença do Espírito Santo em nossa vida e em nossa caminhada eclesial.
        Enfim, quando rompendo os protocolos, anda no meio da multidão, mais do que “jogar para torcida”, penso que o santo padre deseja corresponder ao nosso desejo de senti-lo perto de nós, como queremos sentir Jesus, através de suas palavras e gestos. É bem verdade que os protocolos demasiadamente burocráticos ou formais, que encontramos tantas vezes nos ministros de Deus, nos fazem sentir como que abandonados. Por exemplo, quando encontramos nossas igrejas de portas fechadas, ou quando para conseguir um horário para conversar ou se confessar com um sacerdote precisamos implorar e mesmo mendigar, como se estivéssemos pedindo algo ao qual não temos o direito e que eles têm o dever de nos dar, uma vez que foram ungidos por Deus para isso. Parece que muitos de nós sacerdotes não compreendemos bem que durante a semana as pessoas trabalham e estudam e necessitam de nós no confessionário também nos fins de semana!!! Ah, se nós sacerdotes soubéssemos que tudo se torna supérfluo diante de uma alma que se encontra com Deus simplesmente quando dizemos: “Eu te absolvo, em nome do Pai e do Filho e do Espirito Santo”!
         Caros amigos, é justamente nessa perspectiva que vejo o renovamento realizado por Deus através do nosso Papa Francisco, como eu já dizia em minhas primeiras impressões, logo após sua eleição como Sumo Pontifice (Artigo: Francisco Papa. Vai e reconstrói a minha Igreja).
        Penso que Deus está realizando um verdadeiro chamado especialmente a nós sacerdotes, a não burocratizarmos os dons que recebemos do alto, a amar mais, a manifestar com gestos concretos o nosso zelo pelas almas! Particularmente, em nenhum momento eu me sinto mais feliz e verdadeiramente sacerdote do que quando escuto confissão, celebro missa, mas também quando, mesmo à distância, através das maravilhas da tecnologia (Skype, email, etc) posso ouvir e aconselhar meus filhos espirituais, e tantas vezes através de um aconselhamento, poder transformar as suas vidas com a graça de Deus. Quantas vezes eu mesmo me surpreendo com aquilo que sai dos meus lábios quando alguém abre coração e a consciência diante de mim, lembro-me mais uma vez, especialmente, a homilia da missa do crisma deste ano, quando o Papa nos disse que as nossas ovelhas tantas vezes nos roubam unção!
          Aos fiéis leigos penso que a não burocratização da fé, significa não ter vergonha, muito menos medo de pedir perdão, sabedoria e perseverança ao Senhor. Além disso, ter a certeza de que o nosso Deus está sempre ao nosso lado, dentro de nós, atrás de nós, dentro de nós pela Eucaristia, pela caridade e pela oração.
      Estou seguro que Deus tem nos questionado bastante através do pontificado de Francisco, e que mais do que isso, tem muito a nos comunicar e doar através de seus gestos e palavras. Como filho e também como pai espiritual, através do sacerdócio, mas sobretudo como amigo, convido a todos a nos unirmos mais, a vencermos divisões, ressentimentos e picuinhas, a fim de nos amarmos mais. Somente assim o mundo será capaz de ver Deus em nós e sentirão a doce voz de Deus que os chama à conversão.
          Que a Santíssima Virgem Maria, Senhora de Pentecostes nos ajude a confiar cada vez mais, a orar cada vez mais intimamente ao seu Filho Jesus.

Pe. Gilberto Lombardo Junior, 19/05/2013, solenidade de Pentecostes.

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