Francisco, Papa! “Vai e reconstrói a minha Igreja.”



Caríssimos amigos, ainda tomado pela emoção de vivenciar tudo tão de perto no coração e na oração aqui na Cidade Eterna, gostaria de refletir minhas impressões a respeito da Eleição do Santo Padre Francisco, o Papa simples.
Analisando seu primeiro discurso e primeiros gestos como Papa, não me resta dúvida, que a sua característica fundamental será a simplicidade. O termo advém do Latin sine (sem) e plices (dobras), sem dobras. Pensemos: uma folha quando vem cheia de dobras, não se pode contemplar com clareza seu conteúdo, que vem disforme e oculto, porém, uma folha sem dobras pode ser contemplada com clareza, limpidez!
Ao recordar o nosso amado Bento XVI, demonstrou seu apreço e amor, continuidade, além disso, também desprendimento e ausência de vaidade, tão necessários num contexto em que tantos querem atrair para si em primeiro lugar e “se for o caso”, pra Cristo também.
Um gesto simples e que, se descontextualizado, pode até causar estranheza, foi o fato de não aparecer já no primeiro momento com a estola Papal e a peregrineta vermelha. Na minha reflexão, isso é mais um sinal de simplicidade, que é muito diferente de apoucamento ou desprezo pela rica tradição, até porque colocou a estola para dar sua primeira bênção como o 266º sucessor de Pedro. Vir com a veste de todos os dias do Papa, eis sua simplicidade no primeiro grande ato.
Francisco emocionou ao pedir que os fiéis rezassem por ele antes que ele nos abençoasse, com isso mostra que o Papa também é um ser humano necessitado do amor dos seus filhos e sobre tudo de suas orações. Não se limitou a pedir, quis sentir como um bom latino esta comunhão espiritual e este tremendo intercâmbio de graças.
Sua voz mansa e tranquila, seu semblante visivelmente pacífico e impressionado nos fez recordar o Evangelho do Bom Pastor, enquanto nós, seu rebanho, reconhecemos nele a voz de Cristo neste mundo.
Ao escolher o nome do grande santo de Assis, recorre a seu exemplo e testemunho. Ora, a vida do santo fala por si só, desprendimento, pobreza, caridade, penitência, pureza, coragem, perdão e sobre tudo SIMPLICIDADE! Outro detalhe é que ao ser o primeiro Papa Francisco da história nao precisará do adjetivo I a frente de seu nome, simplicidade até mesmo gramatical...
Vem de um país que vive uma tremenda crise, é conhecido por seu amor aos mais sofridos, não com discursos vãos, marxistas e ideológicos, mas em gestos concretos. Arcebispo da maior cidade de seu país, é conhecido por visitar favelas e acolhida aos doentes, como quando lavou os pés de 12 pessoas com HIV, se não me engano, na semana santa de 2001. Nos faz lembrar ainda, outro grande santo franciscano, Antonio de pádua que dizia, “que cessem as palavras e falem as obras.”
Ao dizer que vem de um país no “fim do mundo”, não está desprezando os seus nem aos seus “hermanos” latinos, e sim reconhecendo-se surpresa, num contexto mundial onde se reconhece tanto os “poderosos”, as superpotências, como não lembrar do Magnificat, “Derrubou do trono os poderosos e os humildes exaltou” (Lc 1, 52).
Apresenta-se como Bispo, não ignora ser Papa, mas sublinha a importância da relação “bispo e povo”, quem ama seu bispo fiel, ama o Papa, ama Cristo.

   Um outro sinal não me passou batido no dia de hoje. Me pareceu que o Espírito Santo quis também confirmar sua ação para cada um de nós, tão carentes de sinais, como não se comover com a pomba branca na chaminé da Capela Sistina, exatamente no horário em que os cardeais terminavam a 5ª votação, justamente aquela que elegeu Francisco!? Pra quem julga ser este argumento sentimental, não deixarei de recordar o Evangelho do Batismo do Senhor no Jordão.
Se esperava um papa mais jovem, vigoroso, etc etc, e Deus nos mandou Francisco, talvez para sublinhar, que não é a força física ou os critérios humanos que se deve ter em primeiro lugar na escolha de seu representante máximo neste mundo, e sim a Sua vontade.
Francisco nos vem do “continente da esperança” e oxalá não sejamos indiferentes a todos estes sinais, não precisa fazer força, na verdade, basta deixar Deus ser Deus, em resumo, basta a SIMPLICIDADE.
Caríssimos, essas poucas linhas representam meus sentimentos e meu amor ao novo Sumo Pontífice, e coloco-me aqui em propósito de ajudá-lo na sua missão: “vai e reconstrói a minha Igreja”. De minha parte, proponho-me a reconstruir a mim mesmo a partir do amor, deixar pra trás tudo que ainda resta de soberba, vaidade, rancor, ira, gula, luxúria, inveja; proponho-me a me re-examinar diante de Deus e peço a oração de todos, a exemplo do Santo Padre, para realizá-lo. Convido a todos ao mesmo.
Papa Francisco, tão SIMPLES de dizer que até causa certa estranheza sonora, amanhã com imenso amor o citarei pela primeira vez na oração eucarística, e nas pedrinhas do meu rosário. Estou seguro que também estarei nas suas orações, bem como toda a Igreja, toda esta imensidão de amigos e irmãos que também trago no peito e na comunhão dos santos.
São Francisco de Assis, rogai por nós, rogai pela Santa Igreja, rogai pelo Santo Padre. Santa Maria, Mãe da Igreja e nossa, intercedei por nós!


Pe. Gilberto Lombardo Jr

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