I Domingo da quaresma


Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o primeiro Domingo da Quaresma, tempo de oração mais intensa, de penitência generosa por amor a Deus e aos mais necessitados. A liturgia nos propõe a meditação das tentações de Jesus, tentações diversas, segundo a astúcia do diabo e da sua capciosa ironia.
Num primeiro momento nos colocamos a questão fundamental se Jesus poderia ou não pecar e a resposta, que nos parece um tanto quanto óbvia, porém não menos verdadeira é de que ele não poderia jamais pecar. Então, por que o diabo o tentou?
A interpretação dada por muitos exegetas, e da qual eu também partilho, é que até este momento o inimigo de Deus não havia plena certeza de que aquele “homem” era o Filho de Deus encarnado e o objetivo de suas “ofertas” era justamente saber, quem era aquele homem capaz de ficar quarenta dias e quarenta noites se alimentando apenas da oração...
A partir dai, vemos o seu jogo fugaz, aquilo que na gíria popular dizemos “jogar verde pra colher maduro”, jogo bem característico de satanás e dos seus soldadinhos neste mundo, pois têm verdadeiro horror da VERDADE, que clarifica a podridão, o orgulho e falsidade de seus projetos, palavras e obras.
As tentações propostas a Jesus são, em minha visão, de três espécies: do prazer, do poder e do saber. Oferecer a oportunidade de transformar em pão uma pedra àquele que é o Pão da Vida, oferecer o governo do mundo àquele que é o Senhor e Juiz da história, e de saber a verdade sobre a capacidade de Deus Pai àquele que é o Filho Unigênito pelo qual tudo foi criado. Poderia nos parecer um plano demasiado bobo àquele que é sempre astucioso em suas maldades, porém, recordemos, que ele não possui a ciência dos planos eternos de Deus e queria ele mesmo o prazer, o poder e o saber.
Jesus, porém, não é tentado pelo prazer para decepção das correntes freudianas modernas, não possui a vontade de poder exaltada por Nietzche, nem mesmo a vontade de saber anunciada por Michel de Foucault, por quê? Porque nenhum de seus planos são frustrados!
Caríssimos, a cena das tentações de Jesus colocam em evidência a nossa luta interior pela liberdade, liberdade esta tanta vestes tolhida, cercada, manipulada pelos jogos sinistros e sujos do inimigo e de seus soldadinhos neste mundo. Porém, nos recorda Santo Agostinho, que na vitória de Jesus sobre a tentação, nós também somos vencedores, “De certo, a nossa vida nesta peregrinação terrena não pode ser ausente de provas e o nosso progresso se cumpre através da tentação. Nenhuma pessoa pode conhecer-se a si mesma, se não é tentada, nem pode ser coroada sem ter vencido, nem pode vencer sem haver lutado; mas a luta supõe um inimigo, uma prova. Portanto se encontra em angústia aquele que grita dos confins da terra, mas não é jamais abandonado.
Caríssimos, as vezes temos a impressão da derrota, porque encontramos com nossos fracassos pessoais, com nossos limites humanos e tudo isso somado à culpa, que se nos joga na cara o acusador e inimigo de Deus, pode nos fazer por um momento desacreditar do poder da graça, porém, não nos esqueçamos, isto é somente mais uma tentação e em Cristo somos mais que vencedores. A Deus basta nosso arrependimento, nossa entrega generosa, nosso empenho cotidiano e sobretudo, nossa união aos seus méritos redentores da vitória da cruz.
Por isso podemos permanecer tranquilos, nosso Advogado é o Espirito Santo, o Paráclito, defensor e consolador, não precisamos mais consumar nossas forcas em provar nossa retidão e inocência, não precisamos fazer como os semeadores impudicos do ódio, ou seja, não precisamos prometer nada, inventar coisas grandiosas e vãs, vomitar o orgulho, a magoa e a inveja nos amigos de Deus, pois como bem dizia um sacerdote muito santo “Pior do que não fazer a vontade de Deus, é impedir que ela se cumpra na vida de outras pessoas”, não sejamos soldados deste inescrupuloso e derrotado exército. O convite de Jesus é simples, singelo e amoroso.
Não cedamos às tentações da vontade do prazer, do poder e do saber, basta dirigir ao Senhor a súplica humilde e confiante do salmista “Escuta, oh Deus, o meu grito, esteja atento a minha oração; dos confins da terra eu te invoco” (cf. Sl 60).
Temos a certeza da nossa vitória sobre todo e qualquer mal, na vitória de Jesus sobre as tentações e sobre a consequência mais absoluta do mal, a morte.
Jesus caiu e se levantou no caminho do calvário para que nós nos levantássemos uma vez e sempre. Não tenhamos medo, Deus esta conosco. A Virgem Maria é por nós e o céu inteiro intercede por nos.

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