I. 9. A abordagem fundamental da Ética


1. As principais figuras da Ética

a. A Ética como investigação acerca do tipo de vida ideal para o homem – essa é a abordagem comum a quase todos os filósofos medievais (santo Agostinho entre outros). Essa concepção foi abandonada progressivamente a partir do sec. XV e somente retomada com profundidade a partir da segunda metade do sec. XX. Seria o que hoje chamamos como ética das virtudes.

b. A Ética como indagação acerca da lei moral que há de ser observada – essa classificação ética não parte da reflexão sobre o bem da vida humana como um todos e sim sobre a bondade ou maldade da ação singular, discerne a respeito do que a lei moral obriga ou proíbe. Entra aqui um pólo normativo (lei, obrigação, dever) e um pólo sob a perspectiva da liberdade humana (consciência moral, autonomia pessoal).

c. A filosofia moral como busca e fundamentação das regras de convivência e colaboração social – podemos considerar Hobbes como o primeiro representante dessa figura ética. Nela surgem várias concepções: utilitarista, deontológica, liberalista etc., em geral, todas elas, centram-se na investigação moral sob um ponto de vista prático a respeito do bem da vida humana considerada em sua totalidade, ou do “fim último” ou “bem supremo” do homem, para utilizar uma terminologia clássica. Em geral essa figura ética visa fundamentar as normas necessárias para uma convivência aceitável para um conjunto de indivíduos, sendo que cada um busca defender a própria liberdade e projetar a própria vida. Por isso necessita ter um conceito de justiça bem apurado.

d. A ética como explicação naturalista do comportamento humano – Hume pode ser considerado o representante mais emblemático. Esse tipo de figura ética considera o comportamento humano se recorrer a entidades sobrenaturais ou a princípios transcendentais. Hume não assume um ponto de vista propriamente normativo, antes busca explicar como é como funciona a natureza humana, suas paixões, seus sentimentos de simpatia dou de benevolência etc., busca a explicação sobre a qual o homem deve atender para regular a própria vida pessoal ou social. Essa é a abordagem de muitas correntes psicológicas, em especial a psicanálise.

2. O ponto de vista da “primeira pessoa” e da “terceira pessoa”.

Neste tópico o importante é considerar sobre quem é o sujeito da reflexão ética.

Primeira pessoa – existe uma ética elaborada a partir do ponto de vista da primeira pessoa, esta reflete a partir de dentro do sujeito agente. Questiona qual é o objeto do desejo humano que constitui o horizonte do seu agir, em suma, questiona qual o bem desejado pelo homem ao realizar uma ação. Num segundo momento questiona quais são as virtudes necessárias para garantir a retidão das ações escolhidas. Abrange a primeira figura de ética abordada anteriormente.

Terceira pessoa – julga a atitude a partir de fora. Emite o juízo moral a partir da correspondência do ato moral em relação a norma. Portanto, a ação é vista a partir da colaboração social e não em relação a bondade ou maldade de um tipo de vida pessoal escolhido. Abrange os três últimos tipos de figura ética abordados acima.

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