Aula 10

Instiuto Superior de Filossofia e Ciências Religiosas
“São Boaventura”
Diocese de Santo Amaro


ÉTICA FILOSÓFICA OU FILOSOFIA MORAL
Pe. Gilberto Lombardo Júnior

10ª AULA 15/IV/2010

II. O OBJETO DA VONTADE


1. O bem como fim e a ação que o realiza

      Já sabemos que o termo fim expressa genericamente o objeto próprio da vontade, agora convém esclarecer que num sentido mais rigoroso expressa apenas um tipo de bem ou um dos possíveis objetos da vontade, pois existem várias classes de bens.

      Entre elas, fim é o que é se apresenta desejável em si mesmo no momento do agir, isto é, o que tem interesse em si e por si.

      A razão geral do fim (o bom em si mesmo) tem duas modalidades: o honesto e o deleitável. Uma ação ou uma coisa pode ser desejada em si mesma porque se apresenta como objetivamente boa e digna de ser amada, ou pode se desejada em si mesma porque se apresenta com apetecibilidade (deleitável).

       O bem honesto tem, pois, um caráter objetivo: a pessoa humana se reconhece nele e o aprova. O bem deleitável é querido porque causa em mim uma ressonância afetiva positiva: prazer, alegria, satisfação etc.

      A vontade pode ter também como objeto um bem que já não é um fim em si mesmo, mas se relaciona com ele, por isso está dentro do objeto da vontade, quando por exemplo quero chegar a um lugar, isso implica querer o caminho até ele. Quem quer os fins, deve querer os meios. Logo quando um cristão quer ser santo, deve querer, orar, mortificar e agir virtuosamente.

      Esse segundo tipo de bem é querido porque esta ordenado ao fim, o chamaremos bem finalizado ou bem útil, Santo Tomás diria “Ea quae sunt ad finem”.

2. A intenção e a eleição

     A distinção entre bem como fim e bem finalizado está relacionada com a intenção e a eleição.

     Intenção é o ato implícito da vontade que consiste no querer eficaz de um fim que, em sua realidade factual, está distante de nos, de modo que não resulta imediatamente realizável ou alcançável, senão enquanto é querida como algo que há de ser alcançado através de outras ações.

      O objeto da intenção é um fim, algo que é visto como apetecível em si e por si e que há de ser alcançado ou realizado mediante uma série de ações finalizadas nele. A intenção é por excelência o ato finalizador.

      O discernimento da intenção requer uma descrição exata da ação humana, ou seja, para um cristão querer ser santo implica eleger os meios justos para realizar tal fim. Assim as virtudes são os meios ou numa análise mais ampla os atos finalizadores do bem eleito, a santidade.

      Chamamos decisão ou eleição o ato implícito da vontade que tem por objeto o imediatamente operável em vista de im fim escolhido

3. A relação entre intenção e eleição

      A distinção entre intenção e eleição não rompe a unidade do agir humano. É verdade que a intenção pode dar-se separadamente da eleição, como ocorre quando uma pessoa decide perseguir um fim que será alcançado no futuro sem pensar todavia nos meios que empregará, mas normalmente intenção e eleição são dois momentos inseparáveis do mesmo momento voluntário.

      Em sentido mais amplo equivale a dizer que a intenção do fim (o que interessa por si mesmo) é mais significativa e reflete melhor a disposição de ânimo do sujeito agente que a eleição das ações finalizadas.

      Resumindo, a intenção é um princípio que implica o reto discernimento acerca do modo concreto de realizá-la.

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