II. 7. O Ceticismo





1. A via para felicidade no ceticismo grego



     O ceticismo grego tem três momentos distintos: o primeiro é representado por Pirro (360-270 aC aprox.), o segundo por Arcesilao (315-240 aC e o terceiro por Sexto Empírico.



   O ceticismo sustem que a reflexão filosófica leva advertir que as coisas são incompreensíveis, porque de cada uma delas se pode afirmar algo e depois contradizer. Assim a única atitude natural e legítima é a suspensão do juízo (epoché) e, no campo prático, a indiferença a todas elas.


    A tese ética fundamental do ceticismo grego é que o fim último ou felicidade humana consiste na imperturbabilidade ou serenidade de espírito (ataraxia), que segue a suspensão do juízo como sombra do corpo.



     Essa tese traz na entrelinhas, que a perturbação do espírito é conseqüência das idéias acerca do bem ou do mal assim como dos desejos de atração e repulsa que essas idéias causam.



     Sexto afirma que todo aquele que concebe algo como bom ou mal, sofrerá por conta disso. Ele não afirma ausência total de sofrimento, mas afirma que o cético sofrerá sempre menos do que o crente. Se não se pode assegurar uma felicidade plena, o ceticismo é para ele, o caminho mais próximo dela.



     O ceticismo, no entanto, é contraditório em si mesmo, pois para afirmar que a reflexão moral a respeito do bem ou do mal causa infelicidade, não deixa de prescindir da própria reflexão moral. Afirma nas entrelinhas uma demasiada e ingênua confiança na natureza humana.



2. Ceticismo grego e ceticismo contemporâneo



     O ceticismo grego está ainda muito vivo, basta considerar que é um dos poucos autores clássicos que ganha citação em periódicos do mundo inteiro. O ceticismo moderno diferencia-se do ceticismo clássico por apresentar-se de maneira mais sutil.



     Em vez de afirmar que as verdades acerca do bem e do mal causam perturbação e infelicidade, o cético atual diz, pelo contrário, que essas verdades dão segurança e serenidade, mas o cético atual renuncia “valentemente” à vantagem de sentir-se seguro e nome da “liberdade”, da neutralidade e do pluralismo, assumem uma ética com valores puramente formais e abertos que não admitem nenhum posição dogmática. São politicamente corretos.


   O cético moderno se sente livre para atacar toda e qualquer verdade, menos a sua própria: não existe verdade.

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