Fé ou Obras?

FÉ ou OBRAS?


   A máxima protestante "sola fide" (somente a fé) pode gerar uma dúvida, basta ter fé para ser salvo e viver em Deus ou é preciso realizar boas obras?
   O caminho certo para essa resposta está em ler a Sagrada Escritura levando em consideração o seu conjunto, ou seja, catolicamente, sem prescindir da meditação e uma boa dose de bom senso.
 

       "Tornai-vos praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos! Com efeito, aquele que ouve a Palavra e não a pratica observa-se e vai embora, esquecendo logo de sua aparência. Mas aquele que considera atentamente a Lei perfeita de liberdade e nela persevera não sendo ouvinte esquecido, antes praticando o que ela ordena, esse é bem aventurado no que faz." (Tg 1, 22-25)

      Qualquer pessoa que manifeste crer nas verdades reveladas por Deus e não se empenhe em observar as leis de Deus, será absolutamente insincera . Afinal, quem crê que Deus fala a verdade, quem crê que a verdade é boa, como não praticá-la na vida?

      A verdade é o próprio Cristo, Ele se revela como a Verdade, o Caminho e a Vida (Jo 14,6). Quando se pensa em Cristo deve-se entender quem ele é, o mesmo afirma ser a imagem do Pai (Jo 14,10-11). Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

     Por ser verdadeiramente Deus, devido ao fato de ser imagem do Deus Pai, tudo o que ele possui como característica de personalidade o Pai, também, possui, portanto se Cristo é misericórdia, o Pai também é, se o Cristo é Verdade, logo o Pai, também, é Misericórdia!

    Cristo não afirma ser apenas a Verdade, afirma ser também o Caminho e a Vida, estas duas características, junto com a primeira, revelam a essência do carisma que São Tiago nos fala: o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé (Tg. 2,24).

    A Verdade narra a realidade das coisas, que antes era velada pelo desconhecimento ou pela mentira. Quando se revela um segredo as pessoas mudam, não conseguem permanecer as mesmas, e não só as pessoas, mas toda a realidade muda, as .coisas nunca permanecem as mesmas quando se apresenta a Verdade.
Assim era o encontro das pessoas com Cristo.

      Simão se tornou Pedro. Se ele não tivesse se encontrado com Cristo, certamente o mundo não saberia quem era esse mero pescador, no entanto, o encontro que Pedro teve com o Cristo-Verdade, o mudou profundamente, sua vida mudou e com o seu testemunho ele revelou O Cristo que vivia dentro dele, por isso, pôde mudar o mundo.

     Cristo, A Verdade, entra na história das pessoas. Não, simplesmente, se encontra com a pessoa e vai embora. A Verdade permanece para sempre com a pessoa e faz com que a mesma viva de acordo com essa Verdade, assim ocorreu com os apóstolos e todas as pessoas que tiveram um encontro com a Verdade, o Próprio Cristo.

     Por isso, o Cristo diz que ele é o Caminho. Agora, as pessoas que se encontraram com a Verdade andarão pelo caminho da Verdade, o Cristo-Verdade, jamais abandonará a pessoa que se encontrou com Ele, pelo contrário, Ele vai viver na pessoa.

    Quando se fala que Cristo vive na pessoa, muitas vezes, não se presta atenção no que isso quer dizer. Cristo é o Homem sem pecado, portanto, nele não existe morte, além disso, Cristo, também, é Deus, o autor de toda a espécie de Vida, na verdade Ele é a Vida, e, quando se fala que Ele vive nas pessoas que o encontra, se fala que Deus faz na pessoa a sua morada e nessa pessoa Ele agirá.
      A vida de Deus na vida do homem! Deus vivendo através do homem!

      As pessoas, que vivem por Deus, agem segundo sua vontade, pois a Vida de Deus não é abstrata, antes, por ser Pessoa, Deus quer, Deus pensa, Deus ama e de uma maneira muito real. Principalmente quando Deus começa a viver através do homem, a vontade humana se conformará à dEle e assim o homem sentirá a liberdade divina, pois entregaram seus membros a serviço da justiça e santificação .

     Deus, por amar o homem, irá querer apenas o bem do mesmo, portanto fugir de Sua Vontade é fugir da eterna Felicidade e da Vida em Abundância.
     A felicidade humana depende de sua obediência a Deus. A liberdade humana é a possibilidade de escolha para o bem, logo serve para obedecer Deus por livre e espontânea vontade.
      As vontades de Deus estão expressas nos 10 mandamentos:

1- Amar Deus sobre todas as coisas;

2- Não tomar seu Santo Nome em vão;

3-Guardar Domingos e Festas de Guarda;

4- Honra teu pai e tua mãe;

5- Não matar;

6- Não pecar contra a castidade;

7- Não furtar;

8- Não levantar falso testemunho;

9- Não desejar a mulher do próximo;

10- Não cobiçar as coisas alheias;

      O amor é base de toda lei divina, ou seja, a fundamentação dos mandamentos da lei de Deus é o amor! Deve-se obedecer a lei divina e não por uma mera obrigação. Deve se ter claro que o homem, por amar Deus, evitará qualquer atitude que machucaria o mesmo e, por conseqüência, o próprio homem. O resumo de toda a lei é dada pelo Cristo: " Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 37-40)

      A lei de Deus que rege a conduta humana chama-se lei moral e não se deve desobedecê-la. Moral vem do latim mores, que significa modo de agir. Quando não se vive de acordo com a vontade de Deus, que é Vida, Amor e Verdade, cai-se em desobediência à lei moral, o que ocasionará à condição humana o contrário daquilo que Ele deseja dar aos homens, portanto, quando se desobedece Deus encontramos o ódio, a morte e a mentira. A desobediência a Deus possui um nome, Pecado, que tornará o homem escravo da Morte, que é a ausência total da presença de Deus, portanto o homem está morto.

      O amor por Deus vai muito além de guardar-se do pecado, caracteriza-se, também, pelas obras de misericórdia corporais, são obras que dizem respeito ao bem-estar físico e temporal do próximo. São sete as obras de misericórdia corporais:

1 – Visitar e cuidar dos enfermos;

2 - Dar de comer a quem tem fome;

3 – Dar de beber a quem tem sede;

4 – Dar pousada aos peregrinos;

5 – Vestir os nus;

6 – Redimir os cativos;

7 – Enterrar os mortos;

 
      As obras de misericórdia só serão bem realizadas quando se ama Deus no mais profundo da alma, pois o próprio Deus amará o próximo por nós, tal como ele deve ser amado. Deus não é a favor das injustiças sociais, da fome, do ódio devido ao Seu Eteno Amor, por isso quer banir essas realidades da vida do homem.

    Deus não precisa do homem para nada, porém se faz precisar, conta com a ajuda do homem para resolver esses problemas, o que para o homem é impossível de ser resolvido para Deus não é( cf. Lc, 1,37).

    Há também as obras de misericórdia espirituais:

1- Ensinar a quem não sabe;

2- Dar bom conselho a quem dele necessita;

3- Corrigir quem erra;

4- Perdoar as injúrias;

5- Consolar os tristes;

6- Sofrer com paciência os defeitos do próximo;

7- Rogar a Deus pelos vivos e mortos;

     O espírito essencial de uma vida autenticamente cristã se verifica em três quesitos, os chamados conselhos evangélicos:

- Pobreza: atitude que luta contra a ambição e a cobiça

- Castidade: heroísmo autêntico na pureza dos jovens que dominam o imperioso instinto sexual até que a idade e as circunstâncias lhe permitam casar-se

- Obediência: Submissão da vontade própria ao o que o Verdadeiro Amor (Deus) exige. Implica em uma atitude de submissão a Deus na sua Igreja, no controle dos próprios desejos para que se possa viver em paz e em amor com os outros.

     Tendo em conta as prementes necessidades atuais, podemos ter a certeza de que Deus chama muitas almas que não aceitam o seu convite. Talvez não dêem ouvidos a sua voz – Ele fala sempre com suavidade-; talvez a ouçam, mas se assustem com a dificuldade, sem levarem em conta que quem as chama é Deus e que Ele dará a fortaleza necessária; talvez ouçam e tenham a suficiente generosidade, mas são dissuadidos pelos pais, que, talvez com boas intenções, aconselham cautela e fazem adiar a decisão, até que conseguem calar a voz de Deus e malograr a vocação. Como se fosse necessário ter “cautela” com Deus! Uma das intenções constantes de nossas orações deveria ser pedir para que todos aqueles a quem Deus chama escutem a sua voz e respondam afirmativamente; e para que aqueles que o fizeram tenham a graça de perseverar esse dom heróico até o fim dos dias.


      Devemos lembrar, contudo, que a vida do cristão consiste em viver em Jesus, amar sua Pessoa e deixar que Ele mesmo viva em nós. Assim, as obras antes de ser um
a obrigação torna-se uma necessidade de amor.








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