homilia quaresma 2

Evangelho: Lc 9,28-36
Primeira Leitura: Gn 15,5-12.17-18
Segunda Leitura: Fl 3,17-4,1
Salmo: 26

Homilia 28/02 – 2º DOMINGO DA QUARESMA

“O Senhor também mostra sua face gloriosa a cada um de nós”

Queridos irmãos e irmãs, neste Segundo Domingo da Quaresma, somos consolados pela liturgia.

 O Senhor transfigura-se no Monte Tabor para confirmar a fé de Pedro, Tiago e João, para prepará-los diante dos sofrimentos que viriam depois quando fosse preso, morto, entregue aos seus inimigos.

E é interessante pensarmos no modo com que Lucas narra a transfiguração, pois nos revela uma dinâmica interessante e bastante familiar porque percebemos que em nossa vida, tantas vezes acontece algo muito semelhante.
Primeiramente, Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João e sobe a uma montanha Jesus tinha esse consume, subir a montanha, recolher-se interiormente e rezar.
A subida representa a busca da presença de Deus. O recolher-se significa afastar-se do meio do mundo para colocar-se em oração.

Quando nos dirigimos à Igreja, é a nossa “subida” para buscar a presença de Deus, deixamos de lado certas realidades, até mesmo nossos amores e ocupações tantas vezes importantes, mas não mais do que Deus!
O Senhor também amava os outros nove discípulos, a Sua Mãe, o seu trabalho, mas deixou tudo isso para subir a montanha e buscar unicamente a presença de Deus para depois dar um novo sentido a tudo. É exatamente o que nós fazemos a cada domingo na Santa Missa, deixando de lado as outras tarefas, funções, pessoas para buscar exclusivamente a presença de Deus.

Jesus levou Consigo, Pedro, Tiago e João que foram considerados depois os “colunas da Igreja”. Pedro, o primeiro dos Apóstolos, Tiago e João, aqueles que mais conheciam o coração de Cristo! Aqueles, a quem Jesus revelava os mistérios mais ocultos do seu coração e também os que Ele sabia, ocupariam papel principal no início da Igreja.

Enquanto Jesus rezava e seu rosto mudava de aparência, sua roupa ficava brilhante. Pedro e seus companheiros, no entanto, estavam com muito sono. Notemos: Jesus está no auge da oração, leva seus discípulos e quer confirmá-los na fé, contudo, eles estão noutra sintonia, estão cansados!


O cansaço quase não faz com que eles não vejam a glória de Cristo. o cansaço! quase fez com que sucumbissem e deixassem de ver talvez a cena mais espetacular de suas vidas..

Imaginem vocês, que o Senhor concedeu um grande privilégio a Pedro, Tiago e João: transfigurou-se! O seu rosto humano tornou-se no rosto glorioso! As suas vestes se tornaram brancas, tão límpidas que nem sequer os discípulos conseguiam olhá-la por causa da luz que dele emanava.
Vejam, quase o cansaço, quase o desânimo, fez com que eles perdessem essa grande graça!


Diz aqui o final Evangelho que “Pedro, Tiago e João ficaram calados depois dessa cena e, naqueles dias, não contaram a ninguém nada do que tinham visto” (Lc 9,36).

Nós não sabemos qual foi a impressão que causou nos corações de Pedro, Tiago e João aquela visão tremenda, aquela visão espetacular de Cristo glorioso, mas o fato é que, talvez a empolgação do momento, fez com que eles não interiorizassem essa graça que recebiam.

Por que podemos concluir isso?

Muito simples! O Senhor transfigurou-se, revelou a eles a sua face gloriosa, de um lado estava Moisés, do outro lado estava Elias, eles viram tudo isso e diz S. Lucas, que Pedro ficou tão extasiado que queria fazer três tendas. Na verdade não estava preocupado com o que estava ouvindo.
Jesus, Moisés e Elias, conversavam exatamente sobre o quê? “Conversavam sobre a morte que Jesus iria sofrer” (Lc 9,30).
Na verdade Pedro, Tiago e João, estavam tão impressionados com a visão que não ouviram e a prova de que não ouviram, é que não tiraram tantos frutos dessa visão espetacular, porque posteriormente, quando Jesus foi entregue, eles não se lembraram dessa visão nem daquilo que ouviram, porque era exatamente sobre isso que Jesus estava conversando com Moisés, representante da Lei, e com Elias, representante dos profetas.
Quando Jesus foi entregue, chicoteado, e morto, os discípulos ficaram perdidos, dispersos, desanimados... Pedro chegou a negar Jesus três vezes!
Encontramos ainda os discípulos, recolhidos, tristes e desanimados após a morte de Jesus! Parecia que toda esperança, tudo aquilo que Cristo havia ensinado em seus corações perdera o sentido, como se Jesus estivesse derrotado, como se o Filho de Deus, estivesse sucumbido!
Ees não se lembraram desta visão!

Irmãos e irmãs, o que isso diz para nós? O que isso diz para as nossas vidas?
A cada semana vamos para a Santa Missa, buscamos a presença de Deus, alcançamos tantas graças e luzes de Deus para nossas vidas, que por vezes testemunhamos isso aos outros! Saímos daqui com o coração consolado, com o coração pleno de sentido! Com a nossa “bagagem de bênçãos” lotada! Saímos com a certeza de que nos encontramos com Deus e que o vimos e o sentimos transfigurado no altar!

É verdade que o vemos escondido sob o véu do sacramento, sob aparência de pão, mas nós alcançamos pelo nosso ouvido e pela nossa fé, aquilo que os olhos não conseguem contemplar! Os nossos olhos olham e vêem pão, mas o nosso ouvido escuta Cristo que fala pelo sacerdote: “Isto é o Meu Corpo” e a nossa fé professa que é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor!
E nessa certeza, saímos daqui com o coração consolado, mais e mais alegre!

Mas Quantos de nós não sucumbimos quando vem a cruz?
Às vezes, desanimamos durante a semana, nos desesperamos, perdemos o bom-humor, tratamos mal as pessoas, pecamos ou caímos em tristeza, no vazio existencial, no medo, na angústia e às vezes, temos até mesmo a tentação de nos afastar de Deus, de modo que quando chega outra semana, na hora de ir buscar de novo essa presença de Deus na santa missa deixamos que a aridez da semana, seja mais forte do que a experiência da Palavra de Cristo que nos tocou na Santa Missa.

Irmãos e irmãs, quando vamos à Santa Missa, quando somos tocados pela graça de Deus, não adianta querer fazer como Pedro desejando armar uma tenda e ficar na Igreja o resto da vida, onde vemos a glória de Deus, antes recebemos bênçãos e graças para levá-las ao nosso dia-a-dia, ao nosso lar, ao nosso trabalho, aos nossos relacionamentos.
É necessário ter fé! É necessário que nós nos abramos à realidade sobrenatural. Chama muito a atenção, nesse sentido, a Primeira Leitura, quando encontramos um Abrão desconfiado, já idoso, desfalecido, murmurando com o Senhor porque não podia ser pai.

Mas, o Senhor para fazê-lo enxergar a graça, o milagre que ia acontecer na sua vida, o conduz para fora de si mesmo: “O Senhor conduziu Abrão para fora e diz: olha para o céu e conta as estrelas se você é capaz!” (Gn 15,5). O Senhor teve que tirar Abrão do seu universo, do seu mundinho, das suas coisas e dizer “Olha para o alto, conte as estrelas! Saia de si! Veja que há um mundo diferente, há um mundo sobrenatural!” e disse a Abrão “Abrão, a sua descendência será maior do que as estrelas do céu”.
Vejam que Deus também é poeta! Para fazer Abrão enxergar e crer, teve que fazer que olhasse para o céu e visse as estrelas!

E nós sabemos que Abrão creu e isso foi imputado a ele como injustiça!
O Senhor só precisa de um pouquinho de fé da nossa parte para começar a transformar toda a nossa vida! Cada vez que viemos aqui Ele nos consola, nos mostra sua vontade, mas nos pede também um pouquinho de fé e, às vezes, é apenas isso que está faltando.
Por isso, irmãos e irmãs, digamos como o Salmista “O Senhor é a minha luz, Ele é a minha salvação! De que eu terei medo? Ele é a proteção da minha vida, perante quem eu temerei? O Senhor ouve a voz do meu apelo!” (Sl 26,1).

E por que nos desesperamos tantas vezes?
Porque esquecemos da da Santa Missa, da comunhão que recebemos.
Também Pedro, Tiago e João esqueceram, durante a morte de Jesus, que Ele mesmo havia dito que ressuscitaria

Nós Também sabemos que o mal é limitado, que não prevalece sobre um Deus que nos ensina a dizer “Diante de quem eu temerei?” (Sl 26,1), mas hoje viemos aqui para mudar, rezamos na oração inicial da Missa, para pedir ao Senhor que purifique os nossos olhos, purifique a nossa visão, para que possamos contemplar as realidades mais sobrenaturais, para transformar o nosso coração durante esta quaresma,

Com Cristo, estamos aqui para encher o nosso coração do bálsamo, da ternura, da esperança, do amor para com os nossos irmãos e irmãs.

Se alguém se sente vencido, se os problemas são muitos, Deus é o único que pode restaurar e fazer novas todas as coisas!

E nós, quando estamos aqui, quando professamos a nossa fé, quando dizemos que acreditamos, quando dizemos “amém!”, dizemos que Deus é maior do que a minha própria vida e maior mesmo do que o meu coração, ‘porque se o meu coração me censura - diz a palavra de Deus - Deus ainda é maior do que ele’”







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